sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Seridó de forno, fogão e bordado



Tádzio França - repórter

Regionalismo sem fronteiras: um conceito de tempos globais que cabe bem em meio aos muitos corredores da Feira de Artesanato do RN – Fiart –, cuja 16ª edição se encerra neste domingo, no Centro de Convenções. Evento já veterano, a Fiart progrediu ao ponto de acompanhar uma tendência que vem se firmando nos últimos anos, a valorização cada vez maior do ingrediente regional – seja de onde vier. Neste ano, a cultura potiguar se posicionou em primeiro plano, com o ‘Espaço Seridó’, logo à entrada da feira. Mas em meio a 1.600 artesãos do Brasil e do mundo, cada qual que apresente as suas qualidades, seus diferenciais, e a cultura – tradicional ou moderna – de sua terra.

Café sertanejo O visitante da Fiart 2011 vai encontrar logo de cara o sotaque nordestino do evento. A reprodução do Arco do Triunfo de Caicó na entrada reforça a imagem. O palco, à direita de quem entra, destaca as apresentações de dança, música e folclore. Neste ano foi ampliado o ambiente que reproduz um boteco sertanejo, agora transformado num amplo armazém. O destaque neste espaço são os sabores nordestinos: sabores para curar, como os lambedores de amora miura e suas dezenas de propriedades anti-inflamatórias, e para degustar, com o forte café sertanejo e seus bolinhos, tapiocas no coco, e caldos.

Doces regionais No armazém cenográfico da Fiart, um sabor em destaque está despertando o paladar de muitos saudosos. A doceira Vera Lúcia Costa, de Assu, faz alfenim desde os 10 anos de idade. Ela conta que sempre participou da feira, mas que pela primeira vez estava fazendo os docinhos in loco. Com a habilidade de quem faz isso há 35 anos, Vera prepara a massa de açúcar, limão e água, corta com uma tesoura, molda as formas e as passa na goma. Em poucos minutos ganham formas uma infinidade de bichinhos, bailarinas e cachimbos de açúcar. Tudo isso na frente do cliente.

Vera não tem um ponto para venda de alfenim em Assu. Sua produção se limita a encomendas esporádicas na região, feiras grandes e festas religiosas. A doceira conta que o alfenim é uma grata surpresa para muita gente que vem à Fiart. “A maioria da clientela vê como o resgate de um sabor da infância. E gosta de apresentar para os mais novos”, conta. Apesar do aparente esquecimento dessa guloseima nordestina, a arte de Vera não vai acabar com ela: a doceira passou seus ensinamentos para a filha, que a acompanha na produção. Doce herança.

Espaço Seridó As guloseimas regionais continuam abrindo apetites no Espaço Seridó, a área mais regional da feira. A banca dos Biscoitos Caseiros Caicó apresenta a diversidade de suas massas artesanais feitas apenas no forno; nada vai para a frigideira. “Assim o sabor é muito melhor”, afirma o vendedor Ademir Eufrásio. Para confirmar isso, há 18 tipos de biscoitos, entre salgados (sabores queijo, alho, cebola, pimenta com orégano e pizza) e doces, como os bicolores amanteigados com recheios de goiaba, chocolate e nata, castanha de caju, maracujá, nata com cupuaçu, e ‘raiva’ (bolinha de goma).

Os biscoitos de Caicó já correm o Brasil há mais de 10 anos. Um estande que reúne produtores de Mossoró, Natal e Caicó é uma salada de sabores made in RN. Fãs de doces encontrarão suspiros, sequilhos, raivas, mel de abelha e de jandaíra, castanhas, licores e doces caseiros. Entre os licores de sabores mais originais estão os de jenipapo, tamarindo, tangerina, especiarias, flores e frutos, graviola, cajá e café. Mais sobremesas? Tente as geleias de cupuaçu, manga, melancia, mamão ou goiaba, e os doces de mamão com coco, gergelim, beterraba, tomate, caju, goiaba em pasta, entre outros.

Há espaço até para sugestões apimentadas. O casal Walkyria Machado e Carlos Alberto se dedica há sete anos à produção de produtos com pimentas cultivadas no estado. “Já produzimos uma pimenta que é 16 vezes mais ardida que a malagueta”, alertam. Mas também há opções para paladares mais moderados, como a pimenta ‘biquinho’ (usada em saladas e tira-gostos) e geleias ardidas e não-ardidas. Lojas sertanejas e padarias são os maiores clientes até agora.

Arte para decorar e vestir O segmento artesanal em peças utilitárias e decorativas é o segmento mais forte da Fiart. Os produtos oscilam entre a tradição e a criatividade – com a beleza em comum. A cerâmica em barro pintado feita por Miraci Almeida, de São Gonçalo do Amarante, representou o estado no Salão de Turismo de São Paulo, e foi considerada uma das 10 melhores do país. O trabalho que ela faz é a versão nordestina da secular pintura em porcelana portuguesa. “Como não tínhamos porcelana, foi usado o barro. E ficou igualmente bonito”, diz a filha Tatiana Almeida. As peças variam entre verde, azul e branco, entre pratos, jarros e miniaturas de animais.

Ideias antigas ganham toques novos. As peças da Companhia do Barro, do artista plástico potiguar Josemar Nascimento, que cria peças de cerâmica decoradas com desenhos vitrificados. Jarros, vasos, queijeiras e peças para banheiro ganham desenhos florais e marítimos. O resultado final é refinado. A dupla pernambucana Milton Araújo e Carlos Queiroz, da “Eu Q Fiz”, surpreendem com seus painéis à base de tela, onde desenhos em MDF ganham acabamento em ‘craquelê’ (efeito quebradiço), num resultado bastante original e bonito. “É um trabalho manual e meticuloso”, diz Milton. Nos quesitos beleza e criatividade, o brasiliense Alex Ofuji vem arrancando elogios com suas luminárias feitas em cano PVC.

Em peças de 25cm a 1m20, ele desenha anjos, santos cristãos, ícones orientais, personagens infantis, e muitos motivos florais. Os desenhos parecem se projetar da peça, como num alto-relevo em 3D. Ofuji faz tudo a mão, mas não entrega as técnicas que usa. “Estou feliz com a repercussão do trabalho na Fiart, ainda mais por ser minha primeira vez por aqui”, diz. Ele trabalha as peças há seis anos. O bom e velho fuxico está mais fashion que nunca. As artesãs/estilistas Ivoneida Souza e Damilúzia trouxeram o toque artesanal para a Fuxico Xique, moda feminina onde elas utilizam as tradicionais florzinhas de pano aliadas aos recortes em patchwork.

Os apliques rendem peças criativas em camisetas, almofadas, colares, bolsas, agendas e necessaires. Elas vendem suas peças customizadas no Shopping do Artesanato Potiguar, em Ponta Negra. Outra amostra de fashionismo regional é a Palhas Brasil, empresa de Minas Gerais que produz bijuterias finas em palha de buriti trançadas manualmente, típicas do cerrado brasileiro. Colares, brincos e pulseiras ganham apliques de madeira, pedra e resina, em peças banhadas em verniz. O design é exclusivo, resultando em artigos diferenciados para quem compra.

O resultado é requintado e original. O brilho também é destaque no estande turco. Através de uma técnica bastante peculiar, as peças em vidro recebem desenhos em ouro e platina feitos à mão, com direito a apliques de cristal. Uma série de taças (até tulipas para cerveja), vasos, jarras, cinzeiros e conjuntos para chá e sobremesa são ornados com motivos florais e arabescos chamativos.

O proprietário do estande, Mikail, tem esse trabalho na família há dois séculos. O tradicional estande peruano destaca este ano as peças em cerâmica queimada, bonecos arredondados que representam cenas de dança e romantismo. Há também as cabaças que contam histórias da cultura inca. Costa para Gravatá, em Pernambuco: chama atenção a leveza das peças em alumínio polido da Decorarte: ganham forma em esculturas graciosas de bailarinas, painéis, castiçais, fruteiras e bandejas. Uma viagem sem fronteiras que exige fôlego.

Arte para ouvir e dançar A sexta-feira cultural da Fiart tem Dodôra Cardoso, XI Festival de Danças Folclóricas e Contemporâneas, Cia de Danças Arte em Movimento, Capoeira Show Celeiro de Bamba, Grupo Corpos Brincantes (Extremoz), Grupo Côco de Calemba de S.G. Amarante, Grupo Xaxado Bando de Lampeão (Touros), Grupo Cultural de C. Mirim (Caboclinhos), Cia de Danças Folcdance, Grupo Flor de Cact’us (Parnamirim), Grupo Quebrando o Côco (S.G.Amarante) e para finalizar, banda Anos 60. No sábado, Forró Santa Maria, a Mostra Natal Fitness, Trup Ashak Cia de Danças, a final do XI Festival de Danças Folclóricas e Contemporâneas, e show de Sérgio Luiz e Banda Derocha. O domingo encerra o evento com a Arte do Circo (palhaços e malabaristas) danças e rituais indígenas, Cia de Eventos Culturais do Nova Natal, Balé da Casa do Bem, Mostra de Danças de Salão (Evidance), Trup Ashak Cia de Danças e show de Ivanildo de Natal e Estigma Musical.
Fonte: Tribuna do Norte

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