terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Transformando arte em negócios

José Ferreira de Melo Neto - Diretor Superintendente do SEBRAE/RN

A qualidade do artesanato potiguar tem nível equivalente aos dos melhores do mundo. Nem sempre foi assim. Quando eu acompanhava minha mãe às compras, nos anos sessenta, já pensava no caminhãozinho que era vendido à porta ao mercado da cidade alta. Havia o roi-roi de som estridente, a gaita que me parecia perfeita e o palhaço que dava uma pirueta de 360 graus sobre seus braços de madeira. A atmosfera se completava com o cheiro, único e inesquecível. Mistura do couro cru das alpercatas de rabicho, frutas maduras e especiarias: cravo, canela, erva-doce, alecrim. Não acredito que os fliperamas e vídeo games tenham, para as crianças de hoje, o encantamento que eu via nos brinquedos artesanais de então. São somente lembranças. Artesanato é assunto sério.

O artesanato nasceu com o homem, de sua capacidade de interferir na natureza e moldar, com seu trabalho e criatividade, objetos que facilitassem sua vida. A pedra, polida, deixou de ser pedra. Passou a ser um instrumento útil, caça e defesa traduzidas em machados e pontas de setas, alimentos preparados porque mós trituravam os grãos. Depois, a cerâmica. Que armazenava líquidos e guardava sementes, era urna mortuária, representava divindades, transformava-se em adornos e vasilhas.

Usando os materiais disponíveis, o artesão – de ontem e de hoje – produz objetos utilitários ou decorativos, que têm a cara de um povo ou região. No Rio Grande do Norte o barro se transformou em baixela de feijoada. Fibras de sisal, bananeira e carnaúba viraram bolsas, jarros, caixas em formato de coração. Couro, além de tralha para montaria, foi assento de tamboretes, cobertura de baús, camas e enxergas que acolhiam o cansaço. Mãos hábeis continuam a criar e transformar, materiais e vidas.

Apoiar o artesanato é dar dignidade e abrir horizontes àqueles que acreditam no trabalho como o melhor meio de obter renda e melhor qualidade de vida. Além do retorno financeiro, o trabalho artesanal pode trazer reconhecimento e gratificação profissional obtida pelo artesão, muitas vezes visto como verdadeiro artista, pois apenas uma linha muito tênue separa esses profissionais. O artesão tem como peculiaridade a fiel reprodução do mesmo objeto, mas nele também aplica a criatividade inerente ao trabalho artístico.

Muito da maestria dos artesãos norte-rio-grandenses está presente no catálogo “Mãos potiguares: transformando arte em negócios”. A organização da publicação foi baseada no trabalho de vinte e cinco associações, que utilizam diversas tipologias de materiais, técnicas e produtos: argila, palha, linhas, bordado, rendas, pinturas e tantas outras matérias primas oferecidas pela natureza ou fabricadas pelo homem.

O catálogo é composto por um pequeno histórico de cada município, seguido de fotos que retratam os principais produtos das associações, cooperativas ou grupos de artesãos. Estes foram os responsáveis pela indicação das fotos, que, além de produtos, retratam a realidade que vivenciam e que lhes toca mais de perto, excelente forma de valorizar a comunidade local.

Alguns dos nossos artesãos estarão mostrando seus trabalhos na Fiart 2011, 16ª Feira Internacional de Artesanato, que será realizada no período de 21 a 30 deste mês, em Natal. Sei que nossos artistas farão bonito. Ao tempo em que mostram sua arte, compõem fabulosos números: 1.600 artesãos de 16 países, ocupando 380 estandes armados no Centro de Convenções e no Pavilhão das Dunas. Certamente encantarão o público, estimado em 80 mil visitantes.

Fonte: Tribuna do Norte

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