segunda-feira, 30 de maio de 2011

Artesanato brasileiro é cada vez mais admirado no país, afirma especialista


Para Cristina Franco, artesão não pode ser tratado de forma assistencialista.'A palavra brasilidade, hoje, é mais assumida', afirmou ela.


Cristina Franco é uma otimista na essência. A jornalista e consultora de moda é uma ativa defensora do artesanato brasileiro, que, para ela, está cada vez mais sendo aceito, admirado e comprado pelos compatriotas. “Nelson Rodrigues dizia que brasileiro tem ‘complexo de vira-lata’. Acho que, agora, a gente parou de ter dificuldades de se olhar no espelho”, afirmou ela, durante a palestra “A importância de uma forte marca Brasil na difusão e sustentabilidade do artesanato brasileiro”, realizada nesta sexta-feira (27), na 18ª edição do Senac Rio Fashion Business.
“A palavra ‘brasilidade’, hoje, é mais assumida”, afirmou Cristina. O otimismo da jornalista se deve ao fato de, mesmoacreditando que há muito preconceito do próprio povo brasileiro, ela enxerga que, hoje, o artesanato nacional é muito mais valorizado do que há algumas décadas.
“Não é um processo simples, porque muita gente ainda usa produtos estrangeiros, mesmo de uma qualidade inferior, por uma questão de status: para ter segurança e ser aceita em determinado grupo”, explicou. “Mas não podemos ser tão cruéis, pois compreender o artesanato faz parte de um aprendizado. É preciso entender que o artesanato, uma renda, uma estampa com uma iconografia nossa, dá uma identidade brasileira à moda”, complementou.

Entretanto, Cristina acredita que é preciso ter mais ação e projetos do governo e de empresários para tonar o artesanato brasileiro mais conhecido e, consequentemente, vender mais. “Todo mundo tem que trabalhar, inclusive o poder público e a iniciativa privada”, enfatizou. Mas ela faz uma ressalva: “As coisas estão caminhando, mas os artesãos não podem ficar esperando nada cair do céu”.

Artesanato sem assistencialismo
Na palestra, a jornalista enfatizou que o artesão não pode ser tratado de forma assistencialista, mas tem que, sim, receber uma boa remuneração para poder viver bem com a produção das peças. “O artesanato não pode ser barato. Quanto tempo a pessoa leva para fazer uma peça?”, questionou Cristina. “Essa pessoa tem que ser bem remunerada, para poder ter qualidade de vida e poder se sustentar produzindo artesanato.”
A jornalista enxerga que, nos próximos anos, os vários eventos que vão ser realizados no Brasil – Jogos Mundiais Militares, Rio+20, Copa do Mundo e Olimpíadas - serão excelentes oportunidades para a expansão do setor de artesanato brasileiro. “São janelas enormes que, se bem trabalhadas, deixam legados”, frisou.

Cristina afirma que “os nichos para o nosso artesanato são absurdos”. Segundo ela, é necessário segmentar e entender que tipo de artesanato pode ser direcionado a cada espécie de turista ou classe social. “Muitos milionários querem o superexclusivo, aquilo que é feito a mão e que não vão existir dois iguais”, ressaltou.

“É muito importante aproveitar essa visibilidade que o Brasil tem hoje. O país tem muito a ver com cor, com alegria, e exerce um fascínio no imaginário internacional”, comentou Cristina. “A marca Brasil existe e, se bem trabalhada, é um grande selo de qualidade para vender esse país.”
Com todas essas possibilidades em vista nos próximos anos, Cristina Franco ressaltou a necessidade de se qualificar os artesãos brasileiros desde já. “O exemplo vem da Índia, que sempre teve uma enorme vocação artesanal, mas que baixou muito o padrão nos últimos tempos. O governo de lá está fazendo uma meta anual: qualificar 10 milhões de pessoas para recuperar o artesanato de altíssima qualidade daquele país”, finalizou.
Fonte: G1

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