sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Lições de autossuficiência



Para gerar trabalho na cidade paulista de Bananal, no Vale do Paraíba, o projeto Rendas do Amanhã promove aulas de artesanato de qualidade em crochê e bordado

Educada na França, a carioca Isabelle de Segur aprendeu cedo a apreciar as roupas finas para cama, mesa e banho. Empresária bem-sucedida, há três anos ela comprou uma fazenda em Bananal, interior de São Paulo. Ao ver o grave problema de desemprego no município, decidiu investir em um projeto social de capacitação e geração de renda. “Como tinha boas bordadeiras e, há 30 anos, a cidade era famosa pelo crochê, promovi workshops para as mulheres talentosas ensinarem as pessoas carentes a fazer peças de qualidade que vestem a casa”, conta.
Junto com Maria Lucia Prado Uchoa Maciel, que preside um abrigo de crianças no local há 12 anos, ela criou o projeto social batizado de Rendas do Amanhã. “Isabelle construiu em cima da creche um salão e instalou os equipamentos”, diz Maria Lucia. Ali cerca de 70 artesãs, formadas nos cursos, ganham por mês até R$ 600, de acordo com as horas trabalhadas e com as peças produzidas.

O restante da verba das vendas cobre parte dos custos do projeto, que ainda depende de aporte mensal, entre R$ 2 mil e R$ 9,5 mil, feito por Isabelle. Sua ajuda permite a compra de material caro, como o linho e a cambraia, o fornecimento de transporte e refeições para as artesãs e a manutenção de duas funcionárias para a administração e a coordenação. “Não é caridade. Eu só dou trabalho para as pessoas daqui ganharem dinheiro”, diz ela.

Isabelle colabora no processo: busca referências de modelos requintados e compra linhas de seda na Europa; convida profissionais para dar workshops e coloca os produtos no mercado. “Faço o controle de qualidade e dos preços porque o trabalho é para grandes lojas, e não para vender para amigos em bazares de fim de ano”, afirma.

Graças a ela, o projeto recebe encomendas de lojas de norte a sul do país. E há designers que vão lá desenvolver peças exclusivas. “Esse lado empresarial é importante em um projeto social. Se depender de trabalho voluntário, não vai para a frente”, diz Maria Lucia. “Espero que algum dia o projeto seja autossuficiente. Ele nasceu social para se tornar profissional”, acrescenta Isabelle.

Fonte: CASA e Jardim


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