sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Artesãs de Santa Rita de Cássia (BA) comemoram sucesso



Trabalhadoras conseguem resgatar a identidade cultural da cidade e geram renda para as famílias

Em atividade desde 2006, a Associação das Artesãs de Santa Rita de Cássia (Asas) conseguiu vender mais de 500 peças somente em feiras no ano passado. Este ano, o grupo formado por 13 participantes pretende dobrar esse número. Para a artesã Geraldina Ribeiro não há limite para fazer novos negócios. “Somos felizes porque sonhamos juntas, tornando tudo possível”, conta.

A Associação teve início sob orientação do Sebrae na Bahia. Com o passar dos anos, as artesãs conquistaram mercado, melhorando a qualidade de vida, firmando a marca e a padronização do produto. Costureiras e lavradoras com pouca expectativa de independência econômica hoje se dizem “donas do próprio nariz”. Mas, a mudança na vida dessas mulheres não veio do dia para noite. Além de acreditar no que produziam, elas ganharam experiência participando de cursos técnicos e de feiras de artesanato.

Atualmente, essas trabalhadoras comemoram o reconhecimento nacional e internacional. A Associação integra o programa Talentos do Brasil, uma iniciativa do governo federal em parceria com o Sebrae, que busca estruturar a atividade artesanal com base na produção agregada e sustentável.
Com o programa, a Associação passou a participar de feiras e eventos importantes, envolvendo representantes de vários países. Geraldina conta que já exportaram produtos para Paris e todas as peças que levaram para a Rio+20 foram vendidas. “Tivemos uma excelente aceitação aqui no Brasil e lá fora. Os compradores consideraram autêntico o que produzimos”.

Um dos pontos de destaque do artesanato é a utilização de elementos da identidade cultural da cidade. Após pesquisa, foi observado, por exemplo, que as letras das cantigas das lavadeiras da beira do Rio Preto poderiam ser bordadas em fitas coloridas que decoram almofadas, vestidos, camisas, travesseiros e chaveiros.
Para a artesã Iris dos Santos, as lavadeiras são uma forte inspiração das mulheres pela espontaneidade do cantar e força do trabalho. “Foi a partir dessa observação que também nos sentimos estimuladas a aprender técnicas, a dar continuidade ao sonho de sermos donas do próprio negócio. É assim que encaramos nossa associação”, conta.

A ideia de bordar as letras surgiu através de consultorias do Sebrae para se chegar a um produto genuinamente cultural de Santa Rita de Cássia. Hoje, essas mulheres são conhecidas como bordadeiras de poesias e cantigas e possuem uma boa variedade de produtos.
Por conta dessa ação, a Associação gravou o disco Canções de Bordar, feito à capela, e que traz as cantigas de roda que as mulheres cantam, enquanto bordam. Segundo a artesã Anagilsa Oliveira, as músicas gravadas vão além do que elas esperavam. “Ampliou a dignidade de nosso trabalho. É uma experiência maravilhosa. Sinto-me artista”, disse.

As mulheres também se tornaram multiplicadoras do conhecimento. Elas ensinam o bordado dentro do Programa Estadual Pontos de Cultura. “Temos essa gratidão com a cidade que nos cedeu inspiração cultural e agora devolvemos dividindo o que aprendemos, estimulando novas artesãs”, explicou a associada Isabel da Rocha.
De acordo com o coordenador do Sebrae em Barreiras, Emerson Cardoso, iniciativas como essa estimulam não só a produção, mas a formação e geração de renda por meio da cultura. “São ações de empenho e paixão pelo que se faz que impulsionam o empreendedorismo”.
Fonte: Revista PEGN
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